sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Os primeiros filósofos

A palavra filosofia é de origem grega. É composta por duas palavras: philo e sophia. Philo vem de philia, amizade, amor fraterno, respeito entre iguais. Sophia quer dizer sabedoria. Assim filosofia significa amor pela sabedoria, amor e respeito pelo saber. Filósofo é o que ama a sabedoria, tem respeito pelo saber, deseja saber.
A Filosofia Grega se desenvolveu entre os séculos  VII antes de Cristo e VI depois de Cristo e sua história pode ser dividida em quatro períodos.
  • Período Pré-socrático ou Cosmológico
  • Período Socrático ou Antropológico
  • Período Sistemático
  • Período Helenístico ou Greco-romano
O período pré-socrático ou cosmológico é marcado por questões sobre a origem do mundo e sobre as causas das transformações na Natureza. Vai do final do século VII ao final do século V antes de Cristo.  Neste que é considerado o período inicial da Filosofia se destacaram as seguintes escolas ou tendências:
  • Escola Jônica
Tales de Mileto
Procure sempre uma ocupação; quando o tiver não pense em outra coisa além de procurar fazê-lo bem feito.
Tomai para vóz os conselhos que derdes a outros.

Anaxímenes de Mileto
A variação quantitativa de tensão da realidade originária dá origem a todas as coisas.
Da mesma forma como a nossa alma o ar nos mantém juntos, de forma que o sopro, bem como o ar, abraçam o mundo inteiro.


Anaximandro de Mileto
Todos os seres derivam de outros seres mais antigos por transformações sucessivas.


Heráclito de Éfeso:
Nada é permanente, exceto a mudança.
Se não sabe escutar, não sabe falar.
Dura é a luta contra o desejo, que compra o que quer à custa da alma.
Paremos de indagar o que o futuro nos reserva e recebamos como um presente o que quer que nos traga o dia de hoje.
Não poderias entrar duas vezes no mesmo rio.
O caminho para cima e o caminho para baixo são um único caminho.
A guerra é mãe e rainha de todas as coisas; alguns transforma em deuses, outros, em homens; de alguns faz escravos, de outros, homens livres.
  • Escola Itálica
Pitágoras de Samos


Árquitas de Tarento
  • Escola Eleata
Parmênides de Eléia
Zenão de Eléia
Viveu entre mais ou menos 490 a. C. e mais ou menos 430 a. C. Nasceu na cidade de Eléia, hoje Veléia, Itália. Foi discípulo de Parmênides de Eléia. É considerado o pai da dialética, por Aristóteles. Elaborava paradoxos com o objetivo de comprovar seus preceitos, o da escola eleática. Deus eterno, único e esférico.
"É impossível que, quando algo é surja; pois teria que surgir ou do igual ou do desigual. Ambas as coisas são, porém, impossíveis; pois não se pode atribuir ao igual, que dele se produza mais do que deva ser produzido, já que os iguais devem ter entre si as mesmas determinações. Tampouco pode surgir o desigual do desigual; pois se do mais fraco se originasse o mais forte, ou do menor o maior, ou do pior o melhor, ou se inversamente, o pior viesse do melhor, originar-se-ia o Não-Ser do Ser, o que é impossível; portanto, Deus é Eterno."
"Se Deus é o mais poderoso de tudo, então lhe é próprio que seja Um; pois, na medida em que dele houvesse dois ou ainda mais, ele não teria poder sobre eles; mas enquanto lhe faltasse o poder sobre os outros não seria Deus. Se, portanto, houvesse mais deuses, eles seriam mais poderosos e mais fracos um em face do outro; não seriam, por conseguinte, deuses; pois faz parte da natureza de Deus não ter acima de si nada mais poderoso; pois o igual não é nem pior ou melhor que o igual - ou não se distingue dele. Se, portanto, Deus é e ele é de natureza, então só há um Deus; não seria capaz de tudo o que quisesse, se houvesse mais deuses."
"Sendo Um, é em toda parte igual, ouve, vê e posui também, em toda a parte, os outros sentimentos, pois, não fosse assim, as partes de Deus dominariam uma sobre a outra, o que é impossível. Como Deus é em toda parte igual, possui ele forma esférica; pois não é aqui assim, em outra parte de outro modo, mas em toda parte igual."



  • Escola da Pluralidade
Empédocles de Agrigento


Anaxágoras de Clazômena
Demócrito de Abdera

Toda a terra está ao alcance do sábio, já que o pai de um alma elevada é o universo.
O melhor para o homem é levar a vida com o máximo de alegria e o mínimo de aborrecimentos.
Na realidade, não conhecemos nada, pois a verdade está no íntimo.
A natureza é auto-suficiente; por isto vence com o pouco e com o seguro, as demasias da esperança.

Fritjof Capra em "O Tao da Física": 
"As raízes da Física, como de toda ciência ocidental, podem ser encontradas no período inicial da filosofia grega do século VI a. C., numa cultura onde ciência, filosofia e religião não se encontravam separadas. Os sábios da escola de Mileto, em Iônia, não se preocupavam com essas distinções. Seu objetivo girava em torno da descoberta da natureza essencial ou da constituição real das coisas, a que denominavam physis. O termo Física deriva dessa palavra grega e significava, originalmente, a tentativa de ver a natureza essencial de todas as coisas.
Este, naturalmente, é também o objetivo central de todos os místicos, e a filosofia da escola de Mileto possuía feições nitidamente místicas. Os adeptos dessa escola eram chamados hilozoístas, ou seja "aqueles que pensam que a matéria é viva". Essa denominação, estabelecida pelos gregos dos séculos subsequentes, derivava do fato de que esses sábios não viam distinção entre o animado e o inanimado, entre o espírito e a matéria. De fato, eles não possuíam sequer uma palavra para designar a matéria na medida em que consideravam todas as formas de existência como manifestações da physis, dotadas de vida e espiritualidade. Assim Tales declarava que todas as coisas estavam cheias de deuses e Anaximandro encarava o universo como uma espécie de organismo mantido pelo pneuma, a respiração cósmica, à semelhança do corpo humano mantido pelo ar.
A visão monística e orgânica da escola de Mileto aproximava-se muito das antigas filosofias chinesa e indiana; na verdade, os paralelos em face do pensamento oriental são ainda mais intensos na filosofia de Heráclito de Éfeso. Heráclito acreditava num mundo em perpétua mudança, de um eterno "vir a ser". Para ele, todo ser estático baseava-se num logro; seu princípio universal era o fogo, um símbolo para o contínuo fluxo e a permanente mudança em todas as coisas. Heráclito ensinava que todas as transformações do mundo derivam da interação dinâmica e cíclica dos opostos, vendo qualquer par de opostos como uma unidade. A essa unidade, que contém e transcende todas as forças opostas, denominava Logos.
A divisão dessa unidade deu-se a partir da escola eleática que pressupunha um Princípio Divino posicionado acima de todos os deuses e todos os homens. Esse princípio foi inicialmente identificado com a unidade do Universo; mais tarde, entretanto, passou a ser encarado como um Deus pessoal e inteligente, situado acima do mundo e dirigindo-o. Dessa forma originou-se uma tendência de pensamento responsável, mais tarde, pela separação entre espírito e matéria, gerando o dualismo, que se tornou a marca característica da filosofia ocidental.
Um passo decisivo nessa direção foi tomado por Parmênides de Eléia. Em nítida oposição a Heráclito, Parmênides denominava seu princípio básico como o Ser, afirmando-o único e invariável. Considerava impossível a mudança encarando aquelas que presumimos perceber no mundo como simples ilusões dos sentidos. O conceito de uma substância indestrutível como sujeito de propriedades diversas originou-se dessa filosofia, vindo mais tarde a tornar-se um dos conceitos fundamentais do pensamento ocidental.
No século V a. C., os filósofos gregos tentaram superar o agudo contraste entre as visões de Parmênides e Heráclito. Com a finalidade de reconciliar a ideia  de um Ser imutável (de Parmênides) com a de um eterno "vir a ser" (de Heráclito), partiram do pressuposto de que o Ser acha-se manifesto em determinadas substâncias invariáveis, cuja mistura e separação dá origem às mudanças do mundo. Essa tentativa de reconciliação deu lugar ao conceito de átomo, a menor unidade indivisível da matéria, cuja expressão mais clara pode ser encontrada na filosofia de Leucipo e Demócrito. Os atomistas gregos estabeleceram uma linha demarcatória bastante nítida entre espírito e matéria, retratando esta última como sendo formada de 'inúmeros blocos de construção'. Tais blocos não passavam de partículas puramente passivas e intrinsecamente mortas, movendo-se no vácuo. Não era explicada a causa de seu movimento, embora este fosse frequentemente associado a forças externas que se supunham provir de uma origem espiritual, sendo fundamentalmente diferente da matéria. Nos séculos que se seguiram, esta imagem acabou por se tornar um elemento essencial do pensamento ocidental, do dualismo entre mente e matéria, entre corpo e alma."

Para saber mais:

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