sexta-feira, 7 de novembro de 2014

113º Aniversário de Cecília Meireles

Cecília Benevides de Carvalho Meireles foi uma poetisa, pintora, professora e jornalista brasileira. Nasceu e morreu na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro (Rio), respectivamente, nos dias 7 de novembro de 1901 e 9 de novembro de 1964. Veja como ela descreve a sua infância:

"Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno.

(...) Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade.

(...) Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano."

Ela mostrou seu talento poético desde cedo. Consta que escreveu a primeira poesia aos 9 anos. Aos 18 anos, em 1919,  publicou o primeiro livro de poesias, "Espectro". Seguiram-se, "Nunca mais ... e Poema dos Poemas", em 1923, e "Baladas para El-Rei", em 1925. 
Após casar-se, em 1922, com o pintor português Fernando Correia Dias, Cecília publicou em Portugal o ensaio "O Espírito Vitorioso". Seu marido suicidou-se em 1935. Cinco anos depois, casou-se com o engenheiro agrônomo Heitor Vinícius da Silveira Grilo.
Sua vida profissional foi marcante, brilhante, não só na poesia, mas também atuou  com destaque como professora, gestora e divulgando e incentivando a criação de bibliotecas e questionando a qualidade da educação no Brasil.



Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.





Para saber mais, eu sugiro os seguintes endereços:
http://www.releituras.com/cmeireles_bio.asp




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