quinta-feira, 19 de novembro de 2015

O homem que calculava e os 35 camelos

OS TRINTA E CINCO CAMELOS - Malba Tahan




Poucas horas havia que viajávamos sem interrupção, quando nos ocorreu uma aventura digna de registro, na qual meu companheiro Beremiz, com grande talento, pôs em prática as suas habilidades de exímio algebrista.

Encontramos, perto de um antigo caravançará meio abandonado, três homens que discutiam acaloradamente ao pé de um lote de camelos. Por entre pragas e impropérios, gritavam possessos, furiosos:
— Não pode ser!
— Isto é um roubo!
— Não aceito!
O inteligente Beremiz procurou informar-se do que se tratava.
— Somos irmãos — esclareceu o mais velho — e recebemos como herança esses 35 camelos. Segundo a vontade expressa de meu pai, devo eu receber a metade, o meu irmão Hamed Namir uma terça parte, e ao Harim, o mais moço, deve tocar apenas a nona parte. Não sabemos, porém, como dividir dessa forma 35 camelos. A cada partilha proposta, segue-se a recusa dos outros dois, pois a metade de 35 é 17 e meio! Como fazer a partilha, se a terça parte e a nona parte de 35 também não são exatas?
— É muito simples — atalhou o “homem que calculava”. — Encarregar-me-ei de fazer com justiça essa divisão, se permitirem que eu junte aos 35 camelos da herança este belo animal, que em boa hora aqui nos trouxe.
Neste ponto, procurei intervir na questão:
— Não posso consentir em semelhante loucura! Como poderíamos concluir a viagem, se ficássemos sem o nosso camelo?
— Não te preocupes com o resultado, ó “bagdali”! — replicou-me, em voz baixa, Beremiz. — Sei muito bem o que estou fazendo. Cede-me o teu camelo e verás, no fim, a que conclusão quero chegar.
Tal foi o tom de segurança com que ele falou, que não tive dúvida em entregar-lhe o meu belo jamal, que imediatamente foi reunido aos 35 ali presentes, para serem repartidos pelos três herdeiros.
— Vou, meus amigos — disse ele, dirigindo-se aos três irmãos — fazer a divisão justa e exata dos camelos, que são agora, como vêem, em número de 36.
E voltando-se para o mais velho dos irmãos, assim falou:
— Deves receber, meu amigo, a metade de 35, isto é, 17 e meio. Receberás a metade de 36, ou seja, 18. Nada tens a reclamar, pois é claro que saíste lucrando com esta divisão.
Dirigindo-se ao segundo herdeiro, continuou:
— E tu, Hamed Namir, devias receber um terço de 35, isto é, 11 e pouco. Vais receber um terço de 36, isto é, 12. Não poderás protestar, pois tu também saíste com visível lucro na transação.
E disse, por fim, ao mais moço:
— E tu, jovem Harim Namir, segundo a vontade de teu pai, devias receber uma nona parte de 35, isto é, 3 e pouco. Vais receber um terço de 36, isto é, 4. O teu lucro foi igualmente notável. Só tens a agradecer-me pelo resultado.
Numa voz pausada e clara, concluiu:
— Pela vantajosa divisão feita entre os irmãos Namir — partilha em que todos os três saíram lucrando — couberam 18 camelos ao primeiro, 12 ao segundo e 4 ao terceiro, o que dá um total de 34 camelos. Dos 36 camelos sobraram, portanto, dois. Um pertence, como sabem, ao “bagdali” meu amigo e companheiro; outro, por direito, a mim, por ter resolvido a contento de todos o complicado problema da herança.
— Sois inteligente, ó estrangeiro! — confessou, com admiração e respeito, o mais velho dos três irmãos. — Aceitamos a vossa partilha, na certeza de que foi feita com justiça e eqüidade.
E o astucioso Beremiz — o “homem que calculava” — tomou logo posse de um dos mais belos camelos do grupo, e disse-me, entregando-me pela rédea o animal que me pertencia:
— Poderás agora, meu amigo, continuar a viagem no teu camelo manso e seguro. Tenho outro, especialmente para mim.
E continuamos a nossa jornada para Bagdá.


(Malba Tahan, Seleções - Os melhores contos – Conquista, Rio, 1963)

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Facínora






Espetáculo Facínora
"Facínora', um espetáculo cruel, denso, ousado, provocador, que faz uma crítica dilacerante ao comportamento humano e expõe a platéia a todas as possibilidades físicas, verbais e mentais de preconceito e intolerância que somos capazes
Mistura dramaturgia, realismo fantástico e dança contemporânea. Estereotipados por um casal sombrio –ela (Bruno Caldeira), a mulher, sem limites para a crueldade; ele (Gustavo Rizzotti), seu marido, mudo, misterioso, e por vezes, histriônico, cáustico e patético –, o espetáculo funciona como um alerta, uma bandeira ao avesso! Pois escarna a platéia ao que há de menos no mundo: nós

Espaço Cultural Sérgio Porto - Humaitá

Rua Humaitá Rio de Janeiro RJ 22261-000
Dias 09, 10, 23 e 24 de novembro de 2015


quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Sítios arqueológicos de Minas Gerais

Um sítio arqueológico é um local no qual os homens que viveram antes do início de nossa civilização deixaram algum vestígio de suas atividades: uma ferramenta de pedra lascada, uma fogueira na qual assaram sua comida, uma pintura, uma sepultura, a simples marca de seus passos.
(http://www.fumdham.org.br/default.asp)
Em Minas Gerais encontramos importantes sítios arqueológicos nos municípios de Montalvânia, Itacarambi, Januária, Santana do Riacho e Matozinhos (Lagoa Santa).
Em Montalvânia temos a Lapa do Possêidon e a Lapa do Dragão. A Lapa do Tikão, a Lapa dos Desenhos e a Lapa de Rezar ficam em Itacarambi. Em Santana do Riacho temos o Grande Abrigo de Santana do Riacho e Sucupira. A Cerca Grande, por fim,  fica em Lagoa Santa.
O Carste de Lagoa Santa é uma área de proteção ambiental e se localiza no centro-sul de Minas Gerais. A Lapa da Cerca Grande é um dos seus mais expressivos e importantes sítios arqueológicos. 






Em construção! Aguarde...



Dica de Leitura - Vamos filosofar

A FILOSOFIA NA DESCOBERTA DE UM MANUSCRITO - Marcos Leite Filho de mineiros, da cidade de Ervália, o autor Marcos Leite (Marcos Eduar...