sexta-feira, 27 de abril de 2012

Homem: o ser que pergunta

Normalmente perguntamos sem refletir sobre o próprio perguntar, sem indagar pelo significado dessa operação da inteligência que se acha na raiz de todo conhecimento e de toda ciência. E ao perguntar pelo perguntar, convertemos essa operação, que nos parece tão banal, quotidiana, em tema filosófico, a partir do momento em que passamos a considerá-la do ponto de vista da crítica radical.
Se compararmos, nesse aspecto, o comportamento humano com o do animal, verificaremos que o animal não pergunta, não indaga, limitando-se a responder. Mas, por que o animal não pergunta? Porque, para viver e reproduzir-se, dispõe do instinto que o torna capaz de fazer, embora inconsciente e sonambulicamente, tudo que é necessário para sobreviver e assegurar a sobrevivência de sua espécie. O animal não pergunta, limita-se a responder aos estímulos e provocações do contexto em que se encontra, a responder imediatamente, fugindo do perigo, quando é ameaçado, e atacando a presa quando está com fome.
Entre o animal e o contexto em que vive não há ruptura, não há solução de continuidade. Porque o animal é natureza dentro da natureza, instinto, espontaneidade vital, inconsciência (...).
Quando o comportamento do animal não é ditado pelo instinto, pela necessidade de alimentar-se, ou de reproduzir-se, e de mover-se pelo espaço, é ditado pelos estímulos exteriores que provocam reflexos ou respostas previamente determinados. O animal não precisa saber o que são as coisas, não precisa perguntar, porque sabe, por instinto, tudo o que precisa saber para sobreviver e assegurar a sobrevivência da espécie, do grupo ou da família a que pertence.
Essa ciência está implícita em sua natureza, pois o peixe nasce sabendo nadar, o pássaro sabendo voar, e os gatos e cachorros sabendo andar e correr. A integração no contexto natural é completa, mesmo por parte dos animais que constroem colmeias como as abelhas, edifícios para morar como as formigas, ou teias como as aranhas. Essas construções são obra do instinto, atividade que realiza fins determinados sem ter consciência de que os realiza, sem ter a possibilidade, ou a liberdade de não realizá-los. Pois ser abelha e construir colmeias é a mesma coisa, e a mesma coisa, também, é ser formiga e erguer formigueiros, e ser aranha e fabricar as teias. Toda a conduta, toda a atividade do animal está predeterminada, preestabelecida, em sua natureza, inclusive a possibilidade, que se verifica em relação a certos animais superiores, de serem adestrados para trabalhar nos circos.


Em contraste, o homem pergunta. E por que pergunta? Porque precisa perguntar. Mas, por que precisa perguntar? Precisa perguntar porque não sabe e precisa saber, saber o que é o mundo em que se encontra e no qual deve viver. Para poder viver, e viver é conviver, com as coisas e com os outros homens, precisa saber como as coisas e os outros homens se comportam, pois sem esse conhecimento não poderia orientar sua conduta em relação às coisas e aos homens. Para o ser humano o conhecimento não é facultativo, mas indispensável, uma vez que a sua sobrevivência dele depende. Mas para que esse conhecimento lhe seja realmente útil e lhe permita transformar a natureza, pela educação e pela cultura, para que esse conhecimento possa tornar-se o fundamento de uma técnica realmente eficaz, é indispensável que não seja meramente empírico, mas científico, ou epistemológico, como diziam os gregos.
Ora, o que está na origem do conhecimento, tanto filosófico quanto científico? Na origem desse conhecimento está a capacidade, ou melhor, a necessidade de perguntar, de indagar, o que são as coisas e o que é o homem. E qual é o pressuposto, ou a condição, de possibilidade da pergunta? Se pergunto é porque não sei, ou me comporto como se não soubesse. A pergunta supõe, consequentemente, a ignorância em relação ao que se pretende ou precisa saber, pressupondo também, e ao mesmo tempo, a consciência da ignorância e o conhecimento, por assim dizer, em oco, daquilo que se desconhece e precisa conhecer. A mola do processo é a contradição. Não sei e sei que não sei, e essa consciência da ignorância, a ciência da insciência, é o que me permite perguntar, quer a pergunta se dirija à natureza, quer se enderece aos outros homens.
Na origem, na raiz do perguntar, encontramos, portanto, a ruptura, a cisão, a contradição. Não sei, preciso saber e porque sei que não sei, pergunto, na expectativa de que a resposta possa trazer-me o que não tenho e preciso ter.


Introdução à Filosofia
Rolando Corbusier
Civilização Brasileira, 1986



sábado, 21 de abril de 2012

Libertas Quæ Sera Tamen


Hoje, 21 de abril de 2012  é o 223º (ducentésimo, vigésimo terceiro) aniversário da Inconfidência Mineira (ou Conjuração Mineira) e o 52º (quinquagésimo segundo) aniversário da cidade de Brasília, capital do Brasil. 


A Inconfidência Mineira, ou Conjuração Mineira, foi uma tentativa de revolta de natureza separatista abortada pela Coroa em 1789, na então Capitania de Minas Geraes, no Brasil, contra, entre outros motivos, a execução da derrama e o domínio português. A exploração abusiva dos portugueses e sua tirania provocaram a revolta. Os insurgentes eram fortemente influenciados pelos ideais dos iluministas europeus e pela recente independência dos Estados Unidos, em 1776. 

Os inconfidentes eram republicanos, abolicionistas (nem todos), e desenvolvimentistas (queriam a industrialização do país). Entre os participantes do movimento se destacam José de Resende Costa (capitão), José de Resende Costa Filho, Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga (poetas), Domingos de Abreu Vieira e Antônio Francisco de Oliveira Lopes (coronéis), José da Silva e Oliveira Rolim, Manuel Rodrigues da Costa e Carlos Correia de Toledo e Melo (padres), Luiz Vieira da Silva (cônego), Vaz de Toledo Pisa (sargento-mor), Inácio José de Alvarenga Peixoto (minerador) e o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Este foi preso, enforcado e depois de morto teve seu corpo esquartejado. Sua cabeça ficou exposta em um poste alto na cidade de Ouro Preto no local onde hoje se encontra um monumento em sua homenagem, na Praça Tiradentes. 


Dizem que uma das propostas dos inconfidentes era a construção de uma nova capital para o Brasil, em um ponto central do país. Esta ideia foi executada por um mineiro, que se tornou presidente do Brasil. Juscelino Kubitschek de Oliveira (JK). Brasília está completando 52 anos. 




O Brasil se tornou independente de Portugal em 1822 e desde essa época tem sofrido transformações radicais. De país agrícola, analfabeto e de regimes elitistas, corruptos e autoritários está se tornando uma potência econômica. Uma pena que todo esse desenvolvimento econômico esteja atrelado a ideias ultrapassadas como desigualdade social, violência, corrupção, poluição, etc. Hoje, aniversário da Inconfidência Mineira, em muitos lugares do Brasil está acontecendo a Marcha contra a Corrupção. Finalizando, gostaria de lembrar que só existem corruptos porque existem corruptores. Nós, brasileiros temos os sistemas político, jurídico, educacional, social, etc. que plantamos e colhemos a cada instante... Libertas quae sera tamen!



terça-feira, 10 de abril de 2012

Cruz e Souza

Siderações

Para as estrelas de cristais gelados
As ânsias e os desejos vão subindo,
Galgando azuis e siderais noivados
De nuvens brancas a amplidão vestindo...

Num cortejo de cânticos alados
Os arcanjos, as cítaras ferindo,
Passam, das vestes nos troféus prateados,
As asas de ouro finamente abrindo...

Dos etéreos turíbulos de neve
Claro incenso aromal, límpido e leve,
Ondas nevoentas de visões levanta...

E as ânsias e os desejos infinitos
Vão com os arcanjos formulando ritos
Da eternidade que nos astros canta...



Simbolismo no Brasil: clique aqui
O Simbolismo - Prof. Fernando Antônio de Araújo
Simbolismo em Portugal

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Googol e Googolflex (Gugol e Gugolplex)



Googol (em Portugal, Gugol) é o número um (1) seguido de cem (100) zeros. Esse nome foi inventado pelo matemático americano Edward Kasner. Uma homenagem a seu sobrinho Milton Sirotta. Kasner havia perguntado ao sobrinho qual era o maior número que existia. O menino de 9 anos havia respondido algo como guuugol. Ao número 10 elevado a 1 googol, Kasner deu o nome de Googolplex (Gugolplex, em Portugal). O nome Google vem de Googol...



Desde o surgimento da Terra, há aproximadamente 4,5 bilhões de anos, ainda não se passaram um googol de segundos, nem um googol de milésimos, na verdade não é nem perto disso, se passaram "apenas" aproximadamente 10 elevado a 17 segundos.

Para saber mais:

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Castro Alves



AS DUAS FLORES

São duas flores unidas
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo,no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.

Unidas, bem como as penas
das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.

Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.

Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!




VOZES D'ÁFRICA

Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?
Em que mundo, em qu'estrela tu t'escondes
Embuçado nos céus?
Há dois mil anos te mandei meu grito,
Que embalde desde então corre o infinito...
Onde estás, Senhor Deus?...
Qual Prometeu tu me amarraste um dia
Do deserto na rubra penedia
— Infinito: galé!...
Por abutre — me deste o sol candente,
E a terra de Suez — foi a corrente
Que me ligaste ao pé...
O cavalo estafado do Beduíno
Sob a vergasta tomba ressupino
E morre no areal.
Minha garupa sangra, a dor poreja,
Quando o chicote do simoun dardeja
O teu braço eternal.
Minhas irmãs são belas, são ditosas...
Dorme a Ásia nas sombras voluptuosas
Dos haréns do Sultão.
Ou no dorso dos brancos elefantes
Embala-se coberta de brilhantes
Nas plagas do Hindustão.
Por tenda tem os cimos do Himalaia...
Ganges amoroso beija a praia
Coberta de corais ...
A brisa de Misora o céu inflama;
E ela dorme nos templos do Deus Brama,
— Pagodes colossais...
A Europa é sempre Europa, a gloriosa!...
A mulher deslumbrante e caprichosa,
Rainha e cortesã.
Artista — corta o mármor de Carrara;
Poetisa — tange os hinos de Ferrara,
No glorioso afã!...
Sempre a láurea lhe cabe no litígio...
Ora uma c'roa, ora o barrete frígio
Enflora-lhe a cerviz.
Universo após ela — doudo amante
Segue cativo o passo delirante
Da grande meretriz.

O Pensamento de Mahatma Gandhi




Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho. 

A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido e não na vitoria propriamente dita. 

As religiões são caminhos diferentes convergindo para o mesmo ponto. Que importância faz se seguimos por caminhos diferentes, desde que alcancemos o mesmo objetivo? 

A força não provém da capacidade física e sim de uma vontade indomável. 

O fraco jamais perdoa: o perdão é uma das características do forte. 



Aprendi através da experiência amarga a suprema lição: controlar minha ira e torná-la como o calor que é convertido em energia. Nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo. 

Olho por olho, e o mundo acabará cego. 

O medo tem alguma utilidade, mas a covardia não. 

Um homem não pode fazer o certo numa área da vida, enquanto está ocupado em fazer o errado em outra. A vida é um todo indivisível. 

Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome. 







Teatro para Pensar



Apresentação de Facínora em Belo Horizonte
Algumas Cenas do Espetáculo